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Dia Mundial da Poesia

21 Mar

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo…
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima .
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor …
Tu não me tiraste a Natureza …
Tu  não me mudaste a Natureza …
Trouxeste-me a Natureza para ao pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.

Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

Só me arrependo de outrora te não ter amado.

Alberto Caeiro in O Pastor Amoroso

 rodrigues.lopes@mail.pt

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Publicado por em 21 de Março de 2015 em Bibliotecando, Cidadania, Poesia

 

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