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Outono

22 Set

Outono – a poesia da química:

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A poesia do outono

Noitinha. O sol, qual brigue em chamas, morre

Nos longes d’água… Ó tardes de novena!

Tardes de sonho em que a poesia escorre

E os bardos, a sonhar, molham a pena!

 

Ao longe, os rios de águas prateadas

Por entre os verdes canaviais  esguios,

São como estradas líquidas, e as estradas

Ao luar, parecem verdadeiros rios!

 

Os choupos nus, tremendo, arrepiadinhos,

O xaile pedem a quem vai passando…

E nos seus leitos nupciais, os ninhos,

As lavandiscas noivam piando, piando!

 

O orvalho cai do céu, como um unguento.

Abrem as bocas, aparando-o, os goivos…

E a laranjeira, aos repelões do vento,

Deixa cair por terra a flor dos noivos.

 

E o orvalho cai… E, à falta d’água, rega

O vale sem fruto, a terra árida e nua!

E o Padre-Oceano, lá de longe, prega

O seu Sermão de Lágrimas, à Lua!

 

Tardes de outono! Ó tardes de novena!

Outubro! Mês de maio, na lareira!

Tardes…

Lá vem a Lua, graça plena,

Do convento dos céus, a eterna freira!

António Nobre
(1867-1900)

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Publicado por em 22 de Setembro de 2015 em Bibliotecando, Ciência, Poesia

 

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