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MÃE

01 Maio

 

Mãe-PauloGalindro

No centro de mim – Paulo Galindro

Elas são as mães:

rompem do inferno, furam a treva, 

arrastando 

os seus mantos na poeira das estrelas.

Animais sonâmbulos, 

dormem nos rios, na raiz do pão.

Na vulva sombria

é onde fazem o lume: 

ali têm casa. 

Em segredo, escondem 

o latir lancinante dos seus cães.

Nos olhos, o relâmpago 

negro do frio.

Longamente bebem 

o silêncio 

nas próprias mãos.

O olhar 

desafia as aves: 

o seu voo é mais fundo.

Sobre si se debruçam 

a escutar 

os passos do crepúsculo.

Despem-se ao espelho 

para entrarem 

nas águas da sombra.

É quando dançam que todos os caminhos 

levam ao mar.

São elas que fabricam o mel, 

o aroma do luar, 

o branco da rosa.

Quando o galo canta 

Desprendem-se 

para serem orvalho.

Eugénio de Andrade

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Publicado por em 1 de Maio de 2016 em Arte, Bibliotecando, Literatura, Poesia

 

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