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Arquivo da Categoria: Poesia

Poesia, sempre

A Biblioteca partilha  Mário Viegas e António Gedeão, porque 

Todo o tempo é de poesia.

Desde a névoa da manhã

à névoa do outro dia.

Desde a quentura do ventre

à frigidez da agonia.

Todo o tempo é de poesia.

Entre bombas que deflagram.

Corolas que se desdobam.

Corpos que em sangue soçobram.

Vidas que a amar se consagram.

Sob a cúpula sombria

das mãos que pedem vingança.

Sob o arco da aliança

da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

Desde a arrumação do caos

à confusão da harmonia.

 

 

Poesia e poetas – na classe 8, 82-1 – na Biblioteca.

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Publicado por em 21 de Março de 2017 em Bibliotecando, Leitura, Poesia, Sem categoria

 

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Primavera

Quando vier a Primavera, 

Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”

Primavera-Botticelli.JPG

Primavera – Botticelli

Equinócio 

20 de março de 2017 – tempo de ‘aequus nox’

A Biblioteca apresenta a PRIMAVERA na Sá da Bandeira:

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Publicado por em 20 de Março de 2017 em Bibliotecando, Pintura, Poesia

 

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Namorar

Namorar é estar em flagrante amor, andar em tonta poesia.

Assim o diz a Literatura, Romance ou Cinema.

Então, a Biblioteca expôs livros e cinema, poesia com música e corações, em flagrante delito

de Dia de Namorados!

 
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Publicado por em 14 de Fevereiro de 2017 em Afetos, Bibliotecando, Leitura, Literatura, Música, Poesia

 

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Dia primeiro – 2017

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Ano Novo

2017 em poesia, com Carlos Drummond de Andrade:

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

novo até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?)

 

Não precisa

fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido

pelas besteiras consumidas

nem parvamente acreditar

que por decreto de esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.

 

Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

 
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Publicado por em 1 de Janeiro de 2017 em Bibliotecando, Poesia

 

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Novembro

Estamos nas  kalendas de Novembro,  mês  duvidoso – o décimo primeiro do calendário gregoriano, o nono romano.  

São assim as tradições, também elas de múltiplas faces,  mesclas de hábitos sociais  e convívios fundados em práticas tão antigas que quase lhes perdemos o início.

Todos os Santos nos guiam, para que todos os fiéis defuntos mantenham a alma iluminada.  Pedimos o Pão por Deus e celebramos o estrangeiro Halloween, procuramos flores com que alegrar campos santos onde os nossos mais próximos repousam em sono eterno.

S. Martinho generoso, que de uma capa multiplica agasalhos, costuma presentear-nos com um verão providencial, assim o frio fosse também ele o que era..

Mês multiplicado, como capa do Santo solidário, celebram-se mais de trinta eventos em trinta dias. Mês azul no mundo, mês de cultura científica em Portugal, a evocar Rómulo de Carvalho, o professor antes do seu tempo. O mesmo cientista que, também nascido poeta, dirá: 

Terça feira,
quarta feira,
quinta,
sexta,
tanto faz.
Ou desta ou doutra maneira,
domingo ou segunda feira,
nenhuma esperança me traz

Que eu nem sei bem pelo que espero.
Se aprender o que não sei,
se esquecer o que aprendi,
se impor meu ser e meu quero,
se, num ti que eu inventei,
nenúfares boiar em ti.

Que esta coisa que se espera
é no dobrar de uma esquina.
Um clarão que dilacera,
a explosão de uma cratera,
vida, ou morte, repentina.

António Gedeão, Obra Completa, Lisboa: Relógio D’Água,2004.

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O Mário na Biblioteca, com afeto!

Conversas de afetos na Biblioteca – a vida de Mário Viegas nas palavras da irmã e do amigo: Hélia Viegas e Jorge Custódio. Dois dias dedicados ao estudante do Liceu de Santarém que tanto fez pelo teatro deste país (e mais fizera, se tão cedo não nos deixara, falando ao jeito de Camões).

Por duas vezes, uma Biblioteca cheia de alunos, para conhecerem   as pequenas estórias do  recitador de versos e de sonhos, contadas pela irmã e pelo amigo.

Percursos de quem disse “O teatro sempre foi a minha vida e a minha morte.”, narrados na Biblioteca da Sá da Bandeira:

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Conversas na Biblioteca

Mário Viegas, recitador de poemas e de sonhos, é a personagem.

Sobre o irmão, o amigo, o ator, falam Hélia Viegas e Jorge Custódio.

Duas sessões, dois momentos de conversa sobre o aluno que traçou no jornal do Liceu ‘O Mocho’ algumas  linhas do seu futuro como homem de teatro; encontros sobre a pessoa que, faz vinte anos, nos surpreendeu com  a maior partida de um dia primeiro de abril.

 
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Publicado por em 3 de Maio de 2016 em Bibliotecando, Literatura, Poesia, Teatro

 

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